Carta aos Familiares


Não haverá bom prognóstico sem que antes do encaminhamento se realize uma avaliação profunda e ampla do caso.

Como é difícil para os familiares terem tranquilidade e segurança no encaminhamento de seu ente adoecido! O que devo fazer? Onde realizar o tratamento? Em quem posso confiar? São dúvidas frequentes que predispõe a família a muita angustia.

A falta de informações fidedignas, associada ao sofrimento da família, pode resultar em um encaminhamento equivocado, fruto de intervenções inadequadas, ineficazes, paliativas e, por vezes, iatrogênicas.

Portanto, ao eleger um profissional ou uma instituição, procure saber acerca da especialização, dos antecedentes da instituição e dos profissionais nela creditados. Esse é o primeiro passo rumo a uma intervenção eficaz. Agende uma visita e conheça o local, sua estrutura física, seus serviços e seu corpo clínico.

Exceto em situações emergenciais não interne seu ente sem antes ter uma avaliação real do caso que lhe indique com profissionalismo uma necessidade concreta de internação ou outra forma de tratamento. Sem um diagnóstico realizado por uma equipe especializada, qualquer indicação e prognóstico estará infundado.

Existem muitos profissionais e instituições de tratamento na área de saúde emocional e mental que trabalham com especialização, competência, ética e humanidade. Porém, sabemos também que existe um crescente número de instituições que se prevalecem na dor e no sofrimento de pacientes e familiares, atuando de forma aética em suas intervenções, promovendo sites elaborados a partir de imagens compradas e propostas terapêuticas ineficazes, soluções mágicas e inverídicas.

Trabalhando há mais de trinta anos nesta área, deparo-me frequentemente com pacientes e familiares que foram, em meio a sua dor, lesados e enganados de alguma forma. Por isso, digo que algumas instituições pecam: no profissionalismo, em conhecimentos técnicos, em profissionais especializados, em metodologias de intervenção e em serviços ultrapassados e, por vezes, inexistentes.

Pesquise, saiba exatamente onde seu ente querido será cuidado e entenda que não se mudar um padrão comportamental, uma dependência de substância, uma dor e um transtorno emocional com promessas e propostas terapêuticas imediatistas.

Acrescento ainda que, quando o paciente se mostrar reticente em relação ao tratamento ou a um atendimento, a avaliação inicial poderá ser feita com a presença de seus familiares. Parentes ou pessoas que convivem com o paciente são portadores de informações embasadas, de suma importância para o entendimento do caso.

A perda da autocrítica, ou seja, a dificuldade de o paciente perceber sua real condição, a minimização e, por vezes, a banalização da dependência de substâncias e dos transtornos são comportamentos sempre presentes e devem ser compreendidos como um dos sintomas mais graves do quadro.

A ausência de auto percepção, somada a uma ansiedade familiar pela melhora, agravará o adoecimento do processo psicoemocional, relacional e a comunicação dos envolvidos.

Para tanto, nos colocamos à disposição para escutar sua história, acolher sua dor e angustia, bem como acompanhá-lo no caminho a ser percorrido rumo à saúde e ao bem estar de todos.

 

José Norberto Fiuza
Diretor